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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pintando o sete


Por Ana Laura Quirino de Lima

Um dia desses descobri que existe um mistério, o qual não sei se os sete sábios da Grécia saberiam desvendar. Um mistério que supera os sete pecados capitais e as sete virtudes cardinais.

Jesus, ao proferir sua última frase na cruz, “pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (frase simples de sete palavras), não imaginaria solução para tal enigma. Talvez nem Deus, nos sete dias em que criou o mundo, fosse capaz de explicar as circunstâncias de sua criação.

Nenhuma das sete maravilhas alcança sua grandiosidade, nenhum dos sete manifestos da arte é tão perfeito quanto ele, nenhum dos sete astros sagrados é tão sagrado quanto ele. 

As sete virtudes humanas, por serem humanas, não são tão virtuosas quanto ele. As sete notas musicais não cantam sua solução, as sete trombetas do apocalipse não soam sua resposta. É um bicho de sete cabeças. 

Nem a física, com seus prismas que refratam sete cores, calcula as causas de tal fenômeno. É um segredo guardado a sete chaves. Seus efeitos já cruzaram os sete mares e nem lobisomens, caçulas com sete irmãs mais velhas, são mágicos como ele.

Um gato, em suas sete vidas, não consegue nos mostrá-lo. Quantos espelhos já quebramos, se nossos sete anos de azar não terminam?

Entre os sete bilhões de habitantes da Terra ou entre os que habitam o mundo mágico (onde sete anões dão abrigo a uma princesinha e sete irmãos perdidos na floresta acabam na casa de um gigante), ou mesmo em meio aos enterrados a sete palmos da superfície, há alguém que, trabalhando sete dias por semana, seja capaz de me dizer por que e por quem o número sete, número primo, ímpar, ilustre e sagrado, foi nomeado possuidor de tanto simbolismo e prestígio?

* Ana Laura Quirino de Lima, aluna do 1o. ano, turma de 2013.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dos esquecimentos que me lembrei de contar




Por Gabriel R. de O. Curi 

Sinceramente eu me surpreendo muito com o comportamento da minha memória. Hoje mesmo me deparei com uma situação interessante: estava eu procurando com não muita paciência – compreensível, eu considero – um documento importante, que me fará ainda muita falta, quando meu irmão me chamou.

Antes de continuar, entrarei em alguns detalhes sobre o meu documento. O papel em questão é meu histórico escolar, que vi há pouco tempo em meio às minhas coisas. Sim. O vi. Mas é claro que não dei muita importância a ele e guardei-o – devidamente arquivado e etiquetado, é claro.

Meu irmão me chamou porque estava confuso com a interpretação de um texto – que eu havia lido alguns anos antes – e pediu minha ajuda. Me lembrei perfeitamente da crônica, que dava uma breve explicação sobre metonímia, e sanei suas dúvidas.

Mas e o meu documento? É claro que não apareceu. Leio autores de anos atrás – e não é que eu ainda sei o que é metonímia? – e me lembro de todas as frases, mas me esqueço em qual pilha de papéis arquivei, na semana passada, meu histórico escolar. 

Eu leria um artigo sobre esses assuntos da memória se eu conseguisse me lembrar se o vi em algum site da internet, em um jornal ou em alguma revista perdida aqui em casa.

* Gabriel Curi, aluno do 2o. ano, turma de 2013.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Efeitos do Tempo


Por Marina Caraiva

A gente vai crescendo e junto cresce a nossa bagagem de memórias, sentimentos e pessoas. 

Passamos a acumular uma carga enorme de conselhos que não foram seguidos, de promessas feitas e não cumpridas, de sonhos que se dispersaram. 

Tentamos fazer de tudo o que vivemos experiência, guardar os erros pra não repeti-los, lembrar de todas as pessoas que são ou foram de alguma forma especiais. 

E ao mesmo tempo novas pessoas vão surgindo, novas responsabilidades, novos sentimentos. 

Chega uma hora que você se sente meio fragmentada, com alguns pedaços presos aos velhos sentimentos, enquanto outros pedaços estão em êxtase, absorvendo coisas novas, se desprendendo de uma "versão antiga" de você.

Tudo lá fora está calmo, o fluxo de carros na rua é o mesmo, o edifício em construção ainda parece um monstro que engole pessoas, e as lojas em liquidação ainda parecem filhos desse monstro, está tudo igual.

Mas você já não é mais a mesma. 

Seus infinitos pedaços entraram em sintonia e sua alma se elevou. 

Então você percebe que a vida tem muitos estágios e essas metamorfoses caóticas te chacoalham, reviram tudo durante algum tempo, mas no fim você alcançou um novo estágio e tem muita sorte por isso, pois, maior que o medo da mudança é o medo de nunca mudar.

* Marina Caraiva, aluna do Cursinho, turma de 2013.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Testemunha Negra


Por Isabelle Castilho


Sentado à sombra de uma árvore estava o menino a contar pedrinhas. Com um grito feminino, a criança parou, colocou- se de pé e deu alguns passos até a beira do rio onde as roupas das grandes senhoras começou a lavar. Neste momento, um pequeno peixe preto parou de nadar ao lado de sua mão. O
garoto ignorou aquele insignificante ser e continuou a esfregar o vestido de seda rosa. Entretanto, o pequenino continuava parado a observar aquele animal estranho no seu habitat.

- O que você quer? Não tenho pão nem para mim - disse o moreno de roupas sujas de barro, incomodado.

O peixinho, no entanto, apenas continuou no seu lugar.

- Moleque! Eu disse que queria essa roupa pronta para uma hora - uma senhora chegou gritando e logo batendo no estranho.

- Termine o que começou. Ficará sem janta hoje - e saiu.

Uma lágrima quente escorreu pelo rosto áspero, um ronco da barriga se ouviu, mas apenas um minúsculo animal foi testemunha disso.

* Isabelle Castilho, aluna do 2o. ano, turma de 2013.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Pintando o sete


Por Ana Laura Quirino de Lima

Um dia desses descobri que existe um mistério, o qual não sei se os sete sábios da Grécia saberiam desvendar. Um mistério que supera os sete pecados capitais e as sete virtudes cardinais.

Jesus, ao proferir sua última frase na cruz, “pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (frase simples de sete palavras), não imaginaria solução para tal enigma. Talvez nem Deus, nos sete dias em que criou o mundo, fosse capaz de explicar as circunstâncias de sua criação.

Nenhuma das sete maravilhas alcança sua grandiosidade, nenhum dos sete manifestos da arte é tão perfeito quanto ele, nenhum dos sete astros sagrados é tão sagrado quanto ele. 

As sete virtudes humanas, por serem humanas, não são tão virtuosas quanto ele. As sete notas musicais não cantam sua solução, as sete trombetas do apocalipse não soam sua resposta. É um bicho de sete cabeças. 

Nem a física, com seus prismas que refratam sete cores, calcula as causas de tal fenômeno. É um segredo guardado a sete chaves. Seus efeitos já cruzaram os sete mares e nem lobisomens, caçulas com sete irmãs mais velhas, são mágicos como ele.

Um gato, em suas sete vidas, não consegue nos mostrá-lo. Quantos espelhos já quebramos, se nossos sete anos de azar não terminam?

Entre os sete bilhões de habitantes da Terra ou entre os que habitam o mundo mágico (onde sete anões dão abrigo a uma princesinha e sete irmãos perdidos na floresta acabam na casa de um gigante), ou mesmo em meio aos enterrados a sete palmos da superfície, há alguém que, trabalhando sete dias por semana, seja capaz de me dizer por que e por quem o número sete, número primo, ímpar, ilustre e sagrado, foi nomeado possuidor de tanto simbolismo e prestígio?

* Ana Laura Quirino de Lima, aluna do 1o. ano, turma de 2013.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dos esquecimentos que me lembrei de contar




Por Gabriel R. de O. Curi 

Sinceramente eu me surpreendo muito com o comportamento da minha memória. Hoje mesmo me deparei com uma situação interessante: estava eu procurando com não muita paciência – compreensível, eu considero – um documento importante, que me fará ainda muita falta, quando meu irmão me chamou.

Antes de continuar, entrarei em alguns detalhes sobre o meu documento. O papel em questão é meu histórico escolar, que vi há pouco tempo em meio às minhas coisas. Sim. O vi. Mas é claro que não dei muita importância a ele e guardei-o – devidamente arquivado e etiquetado, é claro.

Meu irmão me chamou porque estava confuso com a interpretação de um texto – que eu havia lido alguns anos antes – e pediu minha ajuda. Me lembrei perfeitamente da crônica, que dava uma breve explicação sobre metonímia, e sanei suas dúvidas.

Mas e o meu documento? É claro que não apareceu. Leio autores de anos atrás – e não é que eu ainda sei o que é metonímia? – e me lembro de todas as frases, mas me esqueço em qual pilha de papéis arquivei, na semana passada, meu histórico escolar. 

Eu leria um artigo sobre esses assuntos da memória se eu conseguisse me lembrar se o vi em algum site da internet, em um jornal ou em alguma revista perdida aqui em casa.

* Gabriel Curi, aluno do 2o. ano, turma de 2013.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Efeitos do Tempo


Por Marina Caraiva

A gente vai crescendo e junto cresce a nossa bagagem de memórias, sentimentos e pessoas. 

Passamos a acumular uma carga enorme de conselhos que não foram seguidos, de promessas feitas e não cumpridas, de sonhos que se dispersaram. 

Tentamos fazer de tudo o que vivemos experiência, guardar os erros pra não repeti-los, lembrar de todas as pessoas que são ou foram de alguma forma especiais. 

E ao mesmo tempo novas pessoas vão surgindo, novas responsabilidades, novos sentimentos. 

Chega uma hora que você se sente meio fragmentada, com alguns pedaços presos aos velhos sentimentos, enquanto outros pedaços estão em êxtase, absorvendo coisas novas, se desprendendo de uma "versão antiga" de você.

Tudo lá fora está calmo, o fluxo de carros na rua é o mesmo, o edifício em construção ainda parece um monstro que engole pessoas, e as lojas em liquidação ainda parecem filhos desse monstro, está tudo igual.

Mas você já não é mais a mesma. 

Seus infinitos pedaços entraram em sintonia e sua alma se elevou. 

Então você percebe que a vida tem muitos estágios e essas metamorfoses caóticas te chacoalham, reviram tudo durante algum tempo, mas no fim você alcançou um novo estágio e tem muita sorte por isso, pois, maior que o medo da mudança é o medo de nunca mudar.

* Marina Caraiva, aluna do Cursinho, turma de 2013.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Testemunha Negra


Por Isabelle Castilho


Sentado à sombra de uma árvore estava o menino a contar pedrinhas. Com um grito feminino, a criança parou, colocou- se de pé e deu alguns passos até a beira do rio onde as roupas das grandes senhoras começou a lavar. Neste momento, um pequeno peixe preto parou de nadar ao lado de sua mão. O
garoto ignorou aquele insignificante ser e continuou a esfregar o vestido de seda rosa. Entretanto, o pequenino continuava parado a observar aquele animal estranho no seu habitat.

- O que você quer? Não tenho pão nem para mim - disse o moreno de roupas sujas de barro, incomodado.

O peixinho, no entanto, apenas continuou no seu lugar.

- Moleque! Eu disse que queria essa roupa pronta para uma hora - uma senhora chegou gritando e logo batendo no estranho.

- Termine o que começou. Ficará sem janta hoje - e saiu.

Uma lágrima quente escorreu pelo rosto áspero, um ronco da barriga se ouviu, mas apenas um minúsculo animal foi testemunha disso.

* Isabelle Castilho, aluna do 2o. ano, turma de 2013.