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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Qual seu melhor momento?



Boas vindas à família 

Eu sempre dizia para os meus pais que queria uma irmã até que em uma viagem para a praia descobrimos a grande notícia: minha mãe estava grávida. 

Passaram os meses enquanto eu curtia a barrigona dela e ajudava a decorar o quarto, comprar roupinhas e sapatinhos até chegar o grande dia. Foi tudo lindo, ir até o hospital, ficar esperando ansiosamente, olhar aquele bebê tomando banho, escutar o choro fofo e, finalmente, poder ver minha mãe com minha irmã nos braços e me deitar com elas, descobrindo que dentro do meu coração já havia nascido um grande amor. A partir daquele momento pensava feliz que dali para frente mais alguém iria fazer parte da família.

Júlia Chagas de Castro Lima 

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Aventura na Amazônia

Na época eu tinha oito anos, morava em Manaus e naquele dia marcamos um passeio de barco com vários amigos. Era um barco bem simples, de madeira, com capacidade para mais ou menos 50 pessoas, mesmo que naquela idade ele me parecesse gigante.

O passeio começou bem cedo, ainda com aquele clima fresco da manhã e a grama cheia de gotículas de água. No decorrer do caminho passamos pelo encontro dos rios Negro com o Solimões. Era mágico a maneira como águas com cores tão diferentes podiam ficar por tanto tempo totalmente separadas, mas o mais incrível era ver os botos ou, para mim, golfinhos cor de rosa pulando por todos os lados.

Chegamos em um restaurante flutuante perto do meio-dia e foi lá que passei por uma das melhores experiências da minha vida. Havia uma trilha em uma ponte suspensa no alto de uma parte da floresta Amazônica e conforme adentrava a floresta, era possível ouvir a melodia do conjunto de sons presentes ali, além da paisagem leve da mistura de luzes e da natureza. No fim da trilha estava tudo abaixo d'água com uma floresta de vitórias-régias e pássaros, assim, com o brilho que a infância adiciona a tudo, aquele momento se tornou perfeito.

Anelisa Itinose

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Alma tocada

Era julho. O vento frio e seco que entrava pela porta-balcão trouxe-me reminiscências da minha infância, passada em Mogi das Cruzes, onde, praticamente o ano todo, fazia frio. 

Naquele dia, minha irmã saíra. Eu estava no quarto, sentada em frente ao piano, que só ela da família sabia tocar. Como a minha vontade era muito grande e eu a possuía desde criança, decidi pôr meus dedos sobre as teclas. Entretanto, a única melodia que consegui apresentar foi o simples “do, ré, mi, fá”. 

Decidi, então, pesquisar tutoriais da música que eu mais adorava: “Skyscraper”, da Demi Lovato. Finalmente, encontrei um vídeo em que consegui acompanhar as teclas tocadas. Porém, quando eu tocava a segunda parte, esquecia-me da primeira. Devido a isso, decidi colocar pequenos adesivos com números indicando a sequência de partes e de teclas a serem tocadas. 

Depois de quatro horas marcando o piano, comecei a tocar sem assistir ao tutorial. Após recomeçar a música cinco vezes, consegui tocá-la perfeitamente. Na sexta vez, a minha alma foi tocada. Senti apenas as virtudes que a musicalidade do piano proporcionava. Percebi, então, que consegui realizar um dos meus sonhos de criança: tocar piano.  

Thaís Kimura Tomo

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Prova da OBM

Quando eu cursava o quinto ano do ensino fundamental, me inscrevi para a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) junto com sete amigos. Fui a todas as aulas-extras referentes a essa prova e lá resolvi diversas questões que caíram em anos anteriores, estava determinado a vencer.

Meus pais me apoiaram bastante, isso fez com que eu quisesse mais ainda vencer para não decepcioná-los. Os meus colegas não acreditavam que podiam passar, visto que era em nível nacional, por isso alguns desistiram de fazer a prova e os outros não se esforçaram para ir bem, exceto eu.

No dia da primeira fase da OBM, fui à minha escola para fazer o teste. A princípio, estava extremamente nervoso, mas conforme eu o fazia, fui ganhando cada vez mais confiança. Após alguns dias, o resultado saiu, era necessário acertar no mínimo quinze das vinte questões para classificar, eu consegui dezoito delas. Elas me ajudaram bastante com os pontos da segunda fase, assim consegui grande vantagem.

Na segunda fase, a prova estava muito difícil, porém estava decidido a me esforçar ao máximo, depois de duas semanas o resultado saiu e vi que ficara na primeira colocação. Na semana seguinte, a escola fez uma cerimônia para a entrega da minha medalha de ouro, eu fiquei muito feliz não só pelo prêmio, mas também pela confiança dos meus pais, professores e amigos, que pude corresponder.

Pedro Vagnotti

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Lembrança de um sonho 

A menos de um ano, nas férias de julho de 2013, fui com a minha família passear em Los Angeles e Las Vegas para comemorar meu aniversário de quinze anos. Cheguei primeiramente em Los Angeles no dia 03. Lá fomos à praia e aos principais pontos turísticos, como o pier onde foram feitos vários filmes da Disney, na Calçada da Fama - onde visitei o Museu de Cera – e também na placa onde está escrito “Hollywood” onde me ralei inteira para tirar uma foto. Mas foi tudo incrível.

Quando chegou meu aniversário, no dia 08, eu quis comemorá-lo ao jeito americano. Então comi batata frita com bacon no café da manhã e várias ''gordices'' o dia inteiro.

Apesar de ter amado Los Angeles, quando cheguei em Las Vegas percebi que aquela era a cidade dos meus sonhos, cheia de segredos e encantos. Conhecida pelos seus cassinos deslumbrantes, Las Vegas, com certeza foi a cidade que me marcou. Foi lá também que entrei na loja da Chanel e me apaixonei para sempre.

Beatriz Parra

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Primeiro mascote

Tudo começou quando eu tinha apenas oito anos de idade. Era um pequeno menino apaixonado por animais. Não me importava com a raça e nem com a beleza, tudo o que eu mais queria era um mascote.

Certo dia adoeci e precisei ficar internado por quatro dias no hospital, parecia uma eternidade. Meus parentes me visitavam, meus pais passavam a maior parte do tempo comigo, mas às vezes eu percebia que eles estavam conversando escondido de mim, como se estivessem guardando um segredo.

Passados os quatro dias, melhorei bastante e recebi a notícia que já poderia voltar para casa. Meus pais estavam mais ansiosos do que eu, toda aquela atenção e carinho familiar me deixavam mal acostumado.

A caminho de casa, notei a agitação dos meus pais e do meu irmão, pareciam crianças que haviam aprontado alguma coisa. Estávamos muito devagar, o que deveria ser feito em cinco minutos demorou em torno de quinze. Quando chegamos em casa finalmente, pediram para eu fechar meus olhos, pois havia uma coisa me esperando na sala de estar. Honestamente achei isso estranho.

Não fazia ideia do que poderia ser até que, após eu abrir a porta e os meus olhos, vi a minha avó segurando uma cachorrinha e dizendo que era minha nova companheira.

Esse foi o dia mais feliz da minha vida, meu sonho foi realizado e dei o nome da cachorrinha de Sol, pois ela se tornaria a luz do meu dia e eu a sua sombra, unidos para sempre. 

Mateus Fernandes Disposti 

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Busca da felicidade

Ontem eu poderia ter ficado em casa dormindo, poderia ter passado o dia inteiro na internet, poderia ter passado meu tempo assistindo televisão, dormindo, mas não.

Eu fiz do meu dia um dia feliz e intenso, não que eu tenha saído pra curtir com meus amigos, nem saído para comprar o que eu quisesse. Eu fui a um rancho com as pessoas que eu amo. Joguei jogos da minha infância com minhas primas mais novas, joguei baralho com meus avós, andei de jet ski com a minha tia, pratiquei stand up.

Ontem eu amei e também fui amada. Contemplei o pôr do sol e depois deitei na rede e fiquei refletindo, que para um dia feliz só depende de decisões, esqueci daquilo que me perturbava e preenchi o dia com coisas boas, com as pessoas que realmente amo, eu valorizei todos os momentos, pois eles acabam.

E então pude perceber o quanto feliz foi meu dia, intenso de amor, e amor, sim, traz felicidade.

Pamela K. Fabrão Ferreira

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Paris, a cidade luz

Era dia 14 de julho de 2013, eu estava embarcando no avião a caminho de Londres. Meu sonho sempre foi conhecer a Europa, principalmente Paris. Quando era criança, me imaginava sendo pedida em casamento no topo da torre Eiffel e casando no jardim atrás dela em plena primavera durante a tarde.

Dia 18 de julho eu estava entrando no trem a caminho de Paris. Cheguei, fui para o hotel, organizei minhas coisas e sai para conhecer a cidade. Fui a Notre Dame, Louvre, Champs Elysees até que cheguei na torre Eiffel. Certamente aquele foi o momento mais feliz da minha vida, me emocionei, chorei...um choro bom.

Paris é a cidade perfeita, onde minhas preocupações, tristezas, problemas, tudo sumiu, ficou apenas a paz e a alegria, me tornei uma pessoa nova, a pessoa mais feliz do mundo.

Rafaella Marques Mannarelli

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Presente de aniversário nas alturas

Estava em um avião da empresa TAM com destino a São Paulo quando inesperadamente o comandante, durante seu discurso usual, nos questionou sobre os aniversariantes à bordo. Levantei meu braço timidamente e então a comissária de bordo veio até mim com um sorriso estonteante e pediu que ao final da viagem eu aguardasse junto com meu acompanhante dentro da aeronave.

Quando chegamos a São Paulo, fiz o que a comissária havia me pedido. Passaram-se 15 minutos e a porta da cabine do avião se abriu, fui convidado a entrar pelo comandante que insistiu que eu sentasse na poltrona dele. Ele me parabenizou e me explicou que aquela cortesia devia-se ao fato de que, naquele dia, a empresa completava 25 anos de existência.

Fiquei totalmente deslumbrado com a situação, minhas mãos começaram a suar, fiquei paralisado encarando fixamente a infinidade de equipamentos à minha frente. Fui interrompido pelo comandante que me avisou que teríamos que desembarcar da aeronave. Ele então tirou seu broche de comandante e me entregou e sorriu. Desci daquele avião com as pernas trêmulas e em prantos.Guardei aquele broche como se fosse a pedra mais rara do mundo, pois para mim era.

Henrique Kenzo
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A chegada do meu irmão


Lembro como se fosse hoje, no início de fevereiro de 2006, logo após eu chegar da escola, minha mãe me deu a notícia que ela estava grávida e que eu iria ganhar um irmão. 

Já fazia dois meses, mais ou menos,  que ela estava grávida e só demorou pra me contar, pois queria me mostrar o ultrassom e ter certeza do sexo desse novo membro da família. 

Nós ainda não estávamos morando aqui em Araçatuba, estávamos morando em Vilhena, e eu tinha sete anos. 

No mês de abril, durante o ferido de Páscoa,  muitos familiares,  quando souberam da notícia, aproveitaram para passar alguns dias na minha casa, ajudando minha mãe a comprar o enxoval e a decorar o quarto do bebê.

Meu pai ficou muito feliz, pois ele sempre quis ter um filho homem, e resolveu homenagear seu irmão falecido dando o nome dele a meu irmão mais novo, foi assim que ficou decidido que meu irmão se chamaria Pedro.

Meu avô, por parte de pai, foi outro que ficou muito feliz, pois Pedro foi o primeiro neto homem dele. Confesso que, no início, fiquei apreensiva com a chegada do meu irmão, só de ter que pensar em ter que dividir a atenção dos meu pais e familiares com ele .

Ele nasceu no dia 5 de setembro por volta das 16 horas. Eu estava na escola e assim que meu pai me buscou, me contou que ele havia nascido e me levou até o hospital.

Quando eu o peguei no colo, a apreensão em relação a sua chegada desapareceu, foi um momento muito feliz da minha vida, pois eu percebi que não seria uma tortura dividir a atenção com ele, mas um privilégio que muitas pessoas gostariam de ter e não podem. 

E hoje em dia ele é um companheiro com quem eu divido todas as tristezas e alegrias dessa vida familiar.

Millena Vieira Camargo Feliciano
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Adrenalina

A chuva finalmente havia parado e o sol esquentava o parque. Minha irmã não parava de correr e gritar para que nós andássemos mais rápido, antes que a fila aumentasse. Quando chegamos, vi que a fila não estava tão grande, então não havia jeito: eu teria que andar na montanha-russa com a minha irmã.

Eu nunca tive medo de montanhas-russas, mas também nunca havia andado em uma daquelas. Era azul, enorme, com uma subida bem alta que depois despencava, com um lago em baixo e alguns loopings. Se fosse apenas assim, eu não teria ficado com medo. Mas o que a deixava emocionante era o fato de que os carrinhos onde nós sentávamos nos deixavam praticamente de ponta cabeça e com os pés soltos.

Minhas pernas estavam trêmulas e meu estômago estava com um nó, mas a fila estava curta e logo chegou a nossa vez. Fiquei com medo de sentar na ponta e sentei no meio. A trava baixou e travou, o chão abaixou e viraram o carrinho de barriga para baixo. O carrinho começou a andar para frente e depois de uma curva começou a subir e subir e antes que eu me desse conta, o carrinho desceu. Depois disso não pensei mais no que estava acontecendo e apenas senti meus pés balançando e meu cabelo voando com as voltas do carrinhos e , antes que eu pudesse perceber, voltamos para a estação.

Depois dessa, não tive mais medo de montanha-russa.

Isabella Salviano Barretto
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Lembranças de um amigo 

Ao ver meu álbum de formatura, tive muitas lembranças boas da época que estudava no Colégio Nossa Senhora Aparecida. Lá estudei durante minha vida toda e concluí meus estudos há dois anos.

Os momentos que permaneci ali foram mágicos, já que me ensinaram a arte da vida, ou seja, a me relacionar com as pessoas e criar laços cultivados até hoje. Foi naquele ambiente de paz que conheci as primeiras letras e aprendi a contar de um a dez.

Recordei-me de quando jogava pelo time do Colégio em competições regionais, onde comecei ainda pequena. Conheci muitas pessoas que mantenho contato até hoje. Aliás, meu melhor amigo, João, jogava no time de handball do Sagrado de Marília. E em 2010 nos conhecemos nas Olimpíadas de Madre Clélia, em Bauru.

Um dos momentos mais importantes da minha vida foi quando eu o conheci. Inesquecível o momento que o vi pela primeira vez jogando e depois levantando a taça de melhor jogador das Olimpíadas! Nesses quatro anos, não houve distância que nos separasse.

Isabella Henrique Bonadio 
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sobre literatura


Finalmente chegou a época dos exames vestibulares, e os alunos ficam sempre à espera das dicas de última hora, aquelas que podem salvar a alma de muitos ou mesmo acalmar as ansiedades criadas ao longo do ano letivo. Como professora de Literatura, vou fazer aqui a minha parte e espero ajudar, especialmente aos alunos que irão enfrentar  a FUVEST e UNICAMP.

A primeira coisa é ter lido a lista de livros. Se o aluno não teve tempo de ler ou é daqueles que não amam esse tipo de atividade, apesar de terem consciência da necessidade ou validade de tal, ler ao menos análises e não somente resumos é prioridade. Afinal, a Literatura não se restringe apenas a histórias que se contam, mas ao modo como a linguagem se constrói no texto literário e nas interações críticas a respeito de determinada realidade que o autor consegue alcançar.

Dito isso, começo pelas obras escolhidas no âmbito da escola Romântica na Literatura. Em Til, de José de Alencar, há duas considerações a fazer: o regionalismo, de um lado, que retrata o interior de São Paulo, os costumes das fazendas (como a festa Junina); e a idealização romântica, pautada em valores burgueses, o que explica o final dado à personagem Berta (filha bastarda, por isso sem direitos) e a visão maniqueísta (bemXmal). Em Memórias de um sargento de milícias, a proposta é parodiar os conceitos românticos ao trazer à tona o humor, uma linguagem coloquial e a apresentação do mundo de pessoas mais pobres. Outra coisa interessante nesse livro é a construção do anti-herói Leonardinho, que foge aos padrões maniqueístas românticos com o surgimento de um personagem que relativiza suas ações e só se preocupa em viver sem compromisso no mundo da malandragem. Fecha-se o ciclo romântico com Viagens na minha terra, de Almeida Garret, outro livro peculiar porque, a princípio, o autor diz não ser romântico, erigindo uma obra que não se enquadra na forma de romance, em virtude da  hibridez que lhe é característica (ora é relato de viagem, ora é texto filosófico, ora nasce uma narrativa, ora vira memórias ou crítica). Nesse livro, Garret avançou como nacionalista romântico, instaurando uma defesa pelo liberalismo, marcado por uma vertente crítica. Até mesmo na narrativa dada na segunda metade da obra, o autor metaforiza em Carlos o liberalismo em Portugal e dá sua cartada última – a nação não será revitalizada por ele, será abandonada, como Carlos faz com Joaninha (representação de Portugal), o interesse será tão somente pelo dinheiro, daí Carlos escolher ser barão (o novo mal do país).

Em outra frente, há os livros da escola realista. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, faz a linha de crítica ao homem medíocre e hipócrita. A história de Cubas é a análise do espírito humano impregnado pelos interesses individuais, é o desmascaramento da burguesia e de todos os valores que a elevavam à época do romantismo. Cubas olha o mundo ao redor e a si mesmo como olhos novos de defunto, totalmente despreocupado com o olhar da opinião e, ao mesmo tempo, falseando desinteresse e desdém pelos fracassos da própria vida. Já em O cortiço, de Aluísio de Azevedo, o Naturalismo é pintado em todas as cores encarnadas e agressivas. O homem reage o tempo todo como animal que é, marcado pelos instintos, o objetivo de cada personagem é sempre inglório: ou se quer o sexo, como a transformação de Jerônimo, seduzido pela luxuriante Rita Baiana; ou se quer riqueza, sem escrúpulos de qualquer natureza, como o João Romão, que é o retrato fiel do homem seduzido pela ambição. A miséria do homem vincula-se tanto à pobreza, com as descrições do modo de vida dos moradores do cortiço, quanto à riqueza, retratada no sobrado do Miranda. Também se encerra o grupo realista com outro escritor português, Eça de Queirós, e a obra escolhida é A cidade e as serras. O livro tem como proposta comparar o progresso urbano de cidades como Paris ao atraso rural em que se encontrava Portugal. Na visão de um narrador português, José Fernandes, a vida de Jacinto na cidade não proporcionava exatamente a felicidade, havia na cidade a futilidade, o interesse, a hipocrisia, a mediocridade. O que para Machado de Assis existe no âmago do homem, há para Eça na burguesia urbana. Em busca de valorizar sua terra, também em uma linha nacionalista parecida com Garret, Eça de Queirós aponta para a felicidade que só Portugal pode oferecer ao povo, dando-lhe motivação de vida e transformando a ociosidade urbana em produtividade em todos os sentidos.

O último grupo de livros pertence ao segundo período modernista (1930-45). Dois romances foram escolhidos, ambos pertencentes ao movimento do Neorrealismo regionalista, em que os escritores se preocupam com a denúncia das mazelas sociais de determinadas regiões do país. Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é óbvia a temática da seca nordestina e a vida errática da família de Fabiano, dos retirantes, que sofrem, além da hostilidade geográfica, as opressões da exploração do trabalho, na relação de Fabiano com o fazendeiro, e o abandono governamental, expressos pelo soldado amarelo e pelo fiscal da prefeitura. Todos esses fatores atuam de modo a obrigar a família de Fabiano a viver como animais, não regidos pelo instinto como se viu em O cortiço, mas sim marcados pela busca incessante da sobrevivência e pela incapacidade de comunicação. Em Capitães da areia, de Jorge Amado, a temática é urbana: os menores abandonados da cidade de Salvador. O autor consegue aqui analisar de tal modo a realidade que fica explícita a causa do problema: a forma como a sociedade se organiza e de como resolve os problemas que ela mesma cria. Tanto Graciliano Ramos como Jorge Amado utilizam as teorias socialistas como base do discurso que as obras assumem. No primeiro, marca-se a impotência do trabalhador diante do poder capitalista; no segundo, há um vislumbre da possibilidade de luta proletária, da organização por meio da politização como solução social.

Ainda nesse período, mas como poesia, destaca-se a obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Em proporção diferenciada, surge o ideal socialista na descoberta de um mundo que se deteriora em razão da Segunda Guerra Mundial, marco da decadência capitalista segundo o poeta, e da Ditadura que dominava o Brasil à época de Getúlio Vargas. O livro contempla o momento em que o poeta abandona aquela poesia do cotidiano, toma consciência da nova realidade e preocupa-se em dar um novo papel ao trabalho poético: é preciso usar as palavras para denunciar, para que as pessoas acordem da inércia política, é preciso lutar. E a poesia drummondiana renasce nessa obra com nova postura. Há poemas metalinguísticos que questionam o objetivo poético nesse momento de gravidade no Brasil e no mundo, como também existem os poemas que abordam claramente os acontecimentos desse período, e, por fim, os poemas que abordam o próprio poeta enquanto vida, origem e amigos.

É evidente que as obras foram escolhidas justamente por terem relações entre si, tanto analógicas como distintas. Ao aluno é necessário tranquilidade, domínio emocional acima de tudo, para poder compreender os enunciados das questões e encontrar a resposta certa. Agora é ser fera e mostrar o quanto você se preparou. Bom vestibular!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Para escrever uma boa redação




Por Alex Carvalho

Fórmula do sucesso é meio complicado, mas algumas coisas são essenciais: sempre ler os editais do vestibular ou algum guia (como o Guia do Estudante), que explicam as competências avaliadas por cada vestibular na redação: o estilo do vestibular. 

Outra coisa importante é ler muito, tanto notícias, artigos, como também redações de outros. É legal trocar redações com os amigos porque você acaba vendo outros modos de abordar o tema. Veja também as redações com  boas notas na Fuvest e no Enem.


Por último, a produção: faça muitos textos, mas acompanhe correções para não  cometer os mesmos erros em todos os seus textos. 

Seja bastante autocrítico, mas de modo construtivo, sem se pôr para baixo. E não se esqueça de planejar o seu texto, mentalmente, por meio de setas, palavras-chave etc. Ajuda muito em temas com os quais você não tem segurança.  É isso aí pessoal, esses hábitos só têm a acrescentar.

* Alex Carvalho, aluno do Cursinho - turma 2013. Aprovado em medicina na UFTM, UNESP, UNIFESP,  USP e FAMERP.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Formula 'mágica' do sucesso



Por Ayne Regina Gonçalves Salviano

Qual a receita de sucesso para o vestibular?

Fizemos esta pergunta aos alunos que foram aprovados nos vestibulares 2013/2014. Nossa intenção é compartilhar experiências e dicas. 
1. Existe alguma 'fórmula mágica' que garanta a aprovação? 
2. É bom estudar demais sem descanso? 

MARCELA ERVOLINO, aprovada em medicina na FAMECA e PUC/Curitiba

“Não  existem fórmulas mágicas pra se alcançar o sucesso. O primordial é a vontade. Você precisa ter certeza de que é esse curso mesmo que você quer e dessa vontade insana de alcançar seu objetivo, tirar toda sua determinação. 

Ninguém consegue se esforçar de verdade por algo que não queira muito. Tendo certeza do seu objetivo, você tem que estar disposto a alguns pequenos sacrifícios. Afinal, tudo que vem vai fácil, pois nós não costumamos valorizar.

O vestibular exige dedicação e muito estudo. Mas não só isso. É necessário se organizar e arrumar um tempo para distrair as ideias e gastar suas energias. Sair com amigos, fazer academia sem se deixar levar pela vida boemia.Tenham moderação.

Quanto aos estudos, garanto que vocês estão seguros com o material do Anglo. Claro que pegar provas dos últimos anos dos vestibulares das faculdades que vocês mais almejam também é muito bom. 

E ler é o essencial. Ler textos opinativos, de diferentes opiniões, para que você consiga formar a sua. E não só textos sobre assuntos polêmicos. Leia sobre física, química, tudo. Na sua redação você consegue adicionar informações dos mais diferentes universos.

E o principal, pra mim, é você se dedicar ao que você mais tem dificuldade, sem abandonar as matérias que você acredita saber mais. Parece confuso e difícil, e na verdade é. A realidade é que ninguém consegue saber tudo de tudo. Mas você tem que fazer o máximo para chegar lá. Se você odeia história, estude história. Porque quando você gabaritar essa matéria no vestibular, ela deixará de ser um problema para você e você não a odiará mais.

Pondere seus estudos entre teoria e exercício porque um sem o outro não tem sentido.

Outra coisa muito importante é o sono. Muita gente faz loucuras, dorme 5h por noite e acha que 'está abafando'. Mas, na verdade, só está diminuindo o rendimento do cérebro que assimila bem menos informações quando não descansa o suficiente.

Quando sentir sono, durma. Deite no banco, na sala de convivência, descanse de 10 a 30 minutos e depois volte para biblioteca e faça tudo que der.

Frequente os plantões. Aborde os professores nos corredores, nos intervalos, mesmo que pareça inconveniente. Eles querem te ajudar! Eles estão aí pra isso. Confie neles.

Espero que todos vocês atinjam seus objetivos e possam, como eu, serem gratos a essa escola e a todos os seus funcionários, que são apaixonantes”.

* Ayne Regina Gonçalves Salviano é professora de Redação do Ensino Médio e Cursinho. É autora do projeto do jornal impresso Leão Gordo desde 2013 e responsável por este blog.



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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Qual seu melhor momento?



Boas vindas à família 

Eu sempre dizia para os meus pais que queria uma irmã até que em uma viagem para a praia descobrimos a grande notícia: minha mãe estava grávida. 

Passaram os meses enquanto eu curtia a barrigona dela e ajudava a decorar o quarto, comprar roupinhas e sapatinhos até chegar o grande dia. Foi tudo lindo, ir até o hospital, ficar esperando ansiosamente, olhar aquele bebê tomando banho, escutar o choro fofo e, finalmente, poder ver minha mãe com minha irmã nos braços e me deitar com elas, descobrindo que dentro do meu coração já havia nascido um grande amor. A partir daquele momento pensava feliz que dali para frente mais alguém iria fazer parte da família.

Júlia Chagas de Castro Lima 

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Aventura na Amazônia

Na época eu tinha oito anos, morava em Manaus e naquele dia marcamos um passeio de barco com vários amigos. Era um barco bem simples, de madeira, com capacidade para mais ou menos 50 pessoas, mesmo que naquela idade ele me parecesse gigante.

O passeio começou bem cedo, ainda com aquele clima fresco da manhã e a grama cheia de gotículas de água. No decorrer do caminho passamos pelo encontro dos rios Negro com o Solimões. Era mágico a maneira como águas com cores tão diferentes podiam ficar por tanto tempo totalmente separadas, mas o mais incrível era ver os botos ou, para mim, golfinhos cor de rosa pulando por todos os lados.

Chegamos em um restaurante flutuante perto do meio-dia e foi lá que passei por uma das melhores experiências da minha vida. Havia uma trilha em uma ponte suspensa no alto de uma parte da floresta Amazônica e conforme adentrava a floresta, era possível ouvir a melodia do conjunto de sons presentes ali, além da paisagem leve da mistura de luzes e da natureza. No fim da trilha estava tudo abaixo d'água com uma floresta de vitórias-régias e pássaros, assim, com o brilho que a infância adiciona a tudo, aquele momento se tornou perfeito.

Anelisa Itinose

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Alma tocada

Era julho. O vento frio e seco que entrava pela porta-balcão trouxe-me reminiscências da minha infância, passada em Mogi das Cruzes, onde, praticamente o ano todo, fazia frio. 

Naquele dia, minha irmã saíra. Eu estava no quarto, sentada em frente ao piano, que só ela da família sabia tocar. Como a minha vontade era muito grande e eu a possuía desde criança, decidi pôr meus dedos sobre as teclas. Entretanto, a única melodia que consegui apresentar foi o simples “do, ré, mi, fá”. 

Decidi, então, pesquisar tutoriais da música que eu mais adorava: “Skyscraper”, da Demi Lovato. Finalmente, encontrei um vídeo em que consegui acompanhar as teclas tocadas. Porém, quando eu tocava a segunda parte, esquecia-me da primeira. Devido a isso, decidi colocar pequenos adesivos com números indicando a sequência de partes e de teclas a serem tocadas. 

Depois de quatro horas marcando o piano, comecei a tocar sem assistir ao tutorial. Após recomeçar a música cinco vezes, consegui tocá-la perfeitamente. Na sexta vez, a minha alma foi tocada. Senti apenas as virtudes que a musicalidade do piano proporcionava. Percebi, então, que consegui realizar um dos meus sonhos de criança: tocar piano.  

Thaís Kimura Tomo

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Prova da OBM

Quando eu cursava o quinto ano do ensino fundamental, me inscrevi para a OBM (Olimpíada Brasileira de Matemática) junto com sete amigos. Fui a todas as aulas-extras referentes a essa prova e lá resolvi diversas questões que caíram em anos anteriores, estava determinado a vencer.

Meus pais me apoiaram bastante, isso fez com que eu quisesse mais ainda vencer para não decepcioná-los. Os meus colegas não acreditavam que podiam passar, visto que era em nível nacional, por isso alguns desistiram de fazer a prova e os outros não se esforçaram para ir bem, exceto eu.

No dia da primeira fase da OBM, fui à minha escola para fazer o teste. A princípio, estava extremamente nervoso, mas conforme eu o fazia, fui ganhando cada vez mais confiança. Após alguns dias, o resultado saiu, era necessário acertar no mínimo quinze das vinte questões para classificar, eu consegui dezoito delas. Elas me ajudaram bastante com os pontos da segunda fase, assim consegui grande vantagem.

Na segunda fase, a prova estava muito difícil, porém estava decidido a me esforçar ao máximo, depois de duas semanas o resultado saiu e vi que ficara na primeira colocação. Na semana seguinte, a escola fez uma cerimônia para a entrega da minha medalha de ouro, eu fiquei muito feliz não só pelo prêmio, mas também pela confiança dos meus pais, professores e amigos, que pude corresponder.

Pedro Vagnotti

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Lembrança de um sonho 

A menos de um ano, nas férias de julho de 2013, fui com a minha família passear em Los Angeles e Las Vegas para comemorar meu aniversário de quinze anos. Cheguei primeiramente em Los Angeles no dia 03. Lá fomos à praia e aos principais pontos turísticos, como o pier onde foram feitos vários filmes da Disney, na Calçada da Fama - onde visitei o Museu de Cera – e também na placa onde está escrito “Hollywood” onde me ralei inteira para tirar uma foto. Mas foi tudo incrível.

Quando chegou meu aniversário, no dia 08, eu quis comemorá-lo ao jeito americano. Então comi batata frita com bacon no café da manhã e várias ''gordices'' o dia inteiro.

Apesar de ter amado Los Angeles, quando cheguei em Las Vegas percebi que aquela era a cidade dos meus sonhos, cheia de segredos e encantos. Conhecida pelos seus cassinos deslumbrantes, Las Vegas, com certeza foi a cidade que me marcou. Foi lá também que entrei na loja da Chanel e me apaixonei para sempre.

Beatriz Parra

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Primeiro mascote

Tudo começou quando eu tinha apenas oito anos de idade. Era um pequeno menino apaixonado por animais. Não me importava com a raça e nem com a beleza, tudo o que eu mais queria era um mascote.

Certo dia adoeci e precisei ficar internado por quatro dias no hospital, parecia uma eternidade. Meus parentes me visitavam, meus pais passavam a maior parte do tempo comigo, mas às vezes eu percebia que eles estavam conversando escondido de mim, como se estivessem guardando um segredo.

Passados os quatro dias, melhorei bastante e recebi a notícia que já poderia voltar para casa. Meus pais estavam mais ansiosos do que eu, toda aquela atenção e carinho familiar me deixavam mal acostumado.

A caminho de casa, notei a agitação dos meus pais e do meu irmão, pareciam crianças que haviam aprontado alguma coisa. Estávamos muito devagar, o que deveria ser feito em cinco minutos demorou em torno de quinze. Quando chegamos em casa finalmente, pediram para eu fechar meus olhos, pois havia uma coisa me esperando na sala de estar. Honestamente achei isso estranho.

Não fazia ideia do que poderia ser até que, após eu abrir a porta e os meus olhos, vi a minha avó segurando uma cachorrinha e dizendo que era minha nova companheira.

Esse foi o dia mais feliz da minha vida, meu sonho foi realizado e dei o nome da cachorrinha de Sol, pois ela se tornaria a luz do meu dia e eu a sua sombra, unidos para sempre. 

Mateus Fernandes Disposti 

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Busca da felicidade

Ontem eu poderia ter ficado em casa dormindo, poderia ter passado o dia inteiro na internet, poderia ter passado meu tempo assistindo televisão, dormindo, mas não.

Eu fiz do meu dia um dia feliz e intenso, não que eu tenha saído pra curtir com meus amigos, nem saído para comprar o que eu quisesse. Eu fui a um rancho com as pessoas que eu amo. Joguei jogos da minha infância com minhas primas mais novas, joguei baralho com meus avós, andei de jet ski com a minha tia, pratiquei stand up.

Ontem eu amei e também fui amada. Contemplei o pôr do sol e depois deitei na rede e fiquei refletindo, que para um dia feliz só depende de decisões, esqueci daquilo que me perturbava e preenchi o dia com coisas boas, com as pessoas que realmente amo, eu valorizei todos os momentos, pois eles acabam.

E então pude perceber o quanto feliz foi meu dia, intenso de amor, e amor, sim, traz felicidade.

Pamela K. Fabrão Ferreira

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Paris, a cidade luz

Era dia 14 de julho de 2013, eu estava embarcando no avião a caminho de Londres. Meu sonho sempre foi conhecer a Europa, principalmente Paris. Quando era criança, me imaginava sendo pedida em casamento no topo da torre Eiffel e casando no jardim atrás dela em plena primavera durante a tarde.

Dia 18 de julho eu estava entrando no trem a caminho de Paris. Cheguei, fui para o hotel, organizei minhas coisas e sai para conhecer a cidade. Fui a Notre Dame, Louvre, Champs Elysees até que cheguei na torre Eiffel. Certamente aquele foi o momento mais feliz da minha vida, me emocionei, chorei...um choro bom.

Paris é a cidade perfeita, onde minhas preocupações, tristezas, problemas, tudo sumiu, ficou apenas a paz e a alegria, me tornei uma pessoa nova, a pessoa mais feliz do mundo.

Rafaella Marques Mannarelli

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Presente de aniversário nas alturas

Estava em um avião da empresa TAM com destino a São Paulo quando inesperadamente o comandante, durante seu discurso usual, nos questionou sobre os aniversariantes à bordo. Levantei meu braço timidamente e então a comissária de bordo veio até mim com um sorriso estonteante e pediu que ao final da viagem eu aguardasse junto com meu acompanhante dentro da aeronave.

Quando chegamos a São Paulo, fiz o que a comissária havia me pedido. Passaram-se 15 minutos e a porta da cabine do avião se abriu, fui convidado a entrar pelo comandante que insistiu que eu sentasse na poltrona dele. Ele me parabenizou e me explicou que aquela cortesia devia-se ao fato de que, naquele dia, a empresa completava 25 anos de existência.

Fiquei totalmente deslumbrado com a situação, minhas mãos começaram a suar, fiquei paralisado encarando fixamente a infinidade de equipamentos à minha frente. Fui interrompido pelo comandante que me avisou que teríamos que desembarcar da aeronave. Ele então tirou seu broche de comandante e me entregou e sorriu. Desci daquele avião com as pernas trêmulas e em prantos.Guardei aquele broche como se fosse a pedra mais rara do mundo, pois para mim era.

Henrique Kenzo
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A chegada do meu irmão


Lembro como se fosse hoje, no início de fevereiro de 2006, logo após eu chegar da escola, minha mãe me deu a notícia que ela estava grávida e que eu iria ganhar um irmão. 

Já fazia dois meses, mais ou menos,  que ela estava grávida e só demorou pra me contar, pois queria me mostrar o ultrassom e ter certeza do sexo desse novo membro da família. 

Nós ainda não estávamos morando aqui em Araçatuba, estávamos morando em Vilhena, e eu tinha sete anos. 

No mês de abril, durante o ferido de Páscoa,  muitos familiares,  quando souberam da notícia, aproveitaram para passar alguns dias na minha casa, ajudando minha mãe a comprar o enxoval e a decorar o quarto do bebê.

Meu pai ficou muito feliz, pois ele sempre quis ter um filho homem, e resolveu homenagear seu irmão falecido dando o nome dele a meu irmão mais novo, foi assim que ficou decidido que meu irmão se chamaria Pedro.

Meu avô, por parte de pai, foi outro que ficou muito feliz, pois Pedro foi o primeiro neto homem dele. Confesso que, no início, fiquei apreensiva com a chegada do meu irmão, só de ter que pensar em ter que dividir a atenção dos meu pais e familiares com ele .

Ele nasceu no dia 5 de setembro por volta das 16 horas. Eu estava na escola e assim que meu pai me buscou, me contou que ele havia nascido e me levou até o hospital.

Quando eu o peguei no colo, a apreensão em relação a sua chegada desapareceu, foi um momento muito feliz da minha vida, pois eu percebi que não seria uma tortura dividir a atenção com ele, mas um privilégio que muitas pessoas gostariam de ter e não podem. 

E hoje em dia ele é um companheiro com quem eu divido todas as tristezas e alegrias dessa vida familiar.

Millena Vieira Camargo Feliciano
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Adrenalina

A chuva finalmente havia parado e o sol esquentava o parque. Minha irmã não parava de correr e gritar para que nós andássemos mais rápido, antes que a fila aumentasse. Quando chegamos, vi que a fila não estava tão grande, então não havia jeito: eu teria que andar na montanha-russa com a minha irmã.

Eu nunca tive medo de montanhas-russas, mas também nunca havia andado em uma daquelas. Era azul, enorme, com uma subida bem alta que depois despencava, com um lago em baixo e alguns loopings. Se fosse apenas assim, eu não teria ficado com medo. Mas o que a deixava emocionante era o fato de que os carrinhos onde nós sentávamos nos deixavam praticamente de ponta cabeça e com os pés soltos.

Minhas pernas estavam trêmulas e meu estômago estava com um nó, mas a fila estava curta e logo chegou a nossa vez. Fiquei com medo de sentar na ponta e sentei no meio. A trava baixou e travou, o chão abaixou e viraram o carrinho de barriga para baixo. O carrinho começou a andar para frente e depois de uma curva começou a subir e subir e antes que eu me desse conta, o carrinho desceu. Depois disso não pensei mais no que estava acontecendo e apenas senti meus pés balançando e meu cabelo voando com as voltas do carrinhos e , antes que eu pudesse perceber, voltamos para a estação.

Depois dessa, não tive mais medo de montanha-russa.

Isabella Salviano Barretto
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Lembranças de um amigo 

Ao ver meu álbum de formatura, tive muitas lembranças boas da época que estudava no Colégio Nossa Senhora Aparecida. Lá estudei durante minha vida toda e concluí meus estudos há dois anos.

Os momentos que permaneci ali foram mágicos, já que me ensinaram a arte da vida, ou seja, a me relacionar com as pessoas e criar laços cultivados até hoje. Foi naquele ambiente de paz que conheci as primeiras letras e aprendi a contar de um a dez.

Recordei-me de quando jogava pelo time do Colégio em competições regionais, onde comecei ainda pequena. Conheci muitas pessoas que mantenho contato até hoje. Aliás, meu melhor amigo, João, jogava no time de handball do Sagrado de Marília. E em 2010 nos conhecemos nas Olimpíadas de Madre Clélia, em Bauru.

Um dos momentos mais importantes da minha vida foi quando eu o conheci. Inesquecível o momento que o vi pela primeira vez jogando e depois levantando a taça de melhor jogador das Olimpíadas! Nesses quatro anos, não houve distância que nos separasse.

Isabella Henrique Bonadio 
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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sobre literatura


Finalmente chegou a época dos exames vestibulares, e os alunos ficam sempre à espera das dicas de última hora, aquelas que podem salvar a alma de muitos ou mesmo acalmar as ansiedades criadas ao longo do ano letivo. Como professora de Literatura, vou fazer aqui a minha parte e espero ajudar, especialmente aos alunos que irão enfrentar  a FUVEST e UNICAMP.

A primeira coisa é ter lido a lista de livros. Se o aluno não teve tempo de ler ou é daqueles que não amam esse tipo de atividade, apesar de terem consciência da necessidade ou validade de tal, ler ao menos análises e não somente resumos é prioridade. Afinal, a Literatura não se restringe apenas a histórias que se contam, mas ao modo como a linguagem se constrói no texto literário e nas interações críticas a respeito de determinada realidade que o autor consegue alcançar.

Dito isso, começo pelas obras escolhidas no âmbito da escola Romântica na Literatura. Em Til, de José de Alencar, há duas considerações a fazer: o regionalismo, de um lado, que retrata o interior de São Paulo, os costumes das fazendas (como a festa Junina); e a idealização romântica, pautada em valores burgueses, o que explica o final dado à personagem Berta (filha bastarda, por isso sem direitos) e a visão maniqueísta (bemXmal). Em Memórias de um sargento de milícias, a proposta é parodiar os conceitos românticos ao trazer à tona o humor, uma linguagem coloquial e a apresentação do mundo de pessoas mais pobres. Outra coisa interessante nesse livro é a construção do anti-herói Leonardinho, que foge aos padrões maniqueístas românticos com o surgimento de um personagem que relativiza suas ações e só se preocupa em viver sem compromisso no mundo da malandragem. Fecha-se o ciclo romântico com Viagens na minha terra, de Almeida Garret, outro livro peculiar porque, a princípio, o autor diz não ser romântico, erigindo uma obra que não se enquadra na forma de romance, em virtude da  hibridez que lhe é característica (ora é relato de viagem, ora é texto filosófico, ora nasce uma narrativa, ora vira memórias ou crítica). Nesse livro, Garret avançou como nacionalista romântico, instaurando uma defesa pelo liberalismo, marcado por uma vertente crítica. Até mesmo na narrativa dada na segunda metade da obra, o autor metaforiza em Carlos o liberalismo em Portugal e dá sua cartada última – a nação não será revitalizada por ele, será abandonada, como Carlos faz com Joaninha (representação de Portugal), o interesse será tão somente pelo dinheiro, daí Carlos escolher ser barão (o novo mal do país).

Em outra frente, há os livros da escola realista. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, faz a linha de crítica ao homem medíocre e hipócrita. A história de Cubas é a análise do espírito humano impregnado pelos interesses individuais, é o desmascaramento da burguesia e de todos os valores que a elevavam à época do romantismo. Cubas olha o mundo ao redor e a si mesmo como olhos novos de defunto, totalmente despreocupado com o olhar da opinião e, ao mesmo tempo, falseando desinteresse e desdém pelos fracassos da própria vida. Já em O cortiço, de Aluísio de Azevedo, o Naturalismo é pintado em todas as cores encarnadas e agressivas. O homem reage o tempo todo como animal que é, marcado pelos instintos, o objetivo de cada personagem é sempre inglório: ou se quer o sexo, como a transformação de Jerônimo, seduzido pela luxuriante Rita Baiana; ou se quer riqueza, sem escrúpulos de qualquer natureza, como o João Romão, que é o retrato fiel do homem seduzido pela ambição. A miséria do homem vincula-se tanto à pobreza, com as descrições do modo de vida dos moradores do cortiço, quanto à riqueza, retratada no sobrado do Miranda. Também se encerra o grupo realista com outro escritor português, Eça de Queirós, e a obra escolhida é A cidade e as serras. O livro tem como proposta comparar o progresso urbano de cidades como Paris ao atraso rural em que se encontrava Portugal. Na visão de um narrador português, José Fernandes, a vida de Jacinto na cidade não proporcionava exatamente a felicidade, havia na cidade a futilidade, o interesse, a hipocrisia, a mediocridade. O que para Machado de Assis existe no âmago do homem, há para Eça na burguesia urbana. Em busca de valorizar sua terra, também em uma linha nacionalista parecida com Garret, Eça de Queirós aponta para a felicidade que só Portugal pode oferecer ao povo, dando-lhe motivação de vida e transformando a ociosidade urbana em produtividade em todos os sentidos.

O último grupo de livros pertence ao segundo período modernista (1930-45). Dois romances foram escolhidos, ambos pertencentes ao movimento do Neorrealismo regionalista, em que os escritores se preocupam com a denúncia das mazelas sociais de determinadas regiões do país. Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é óbvia a temática da seca nordestina e a vida errática da família de Fabiano, dos retirantes, que sofrem, além da hostilidade geográfica, as opressões da exploração do trabalho, na relação de Fabiano com o fazendeiro, e o abandono governamental, expressos pelo soldado amarelo e pelo fiscal da prefeitura. Todos esses fatores atuam de modo a obrigar a família de Fabiano a viver como animais, não regidos pelo instinto como se viu em O cortiço, mas sim marcados pela busca incessante da sobrevivência e pela incapacidade de comunicação. Em Capitães da areia, de Jorge Amado, a temática é urbana: os menores abandonados da cidade de Salvador. O autor consegue aqui analisar de tal modo a realidade que fica explícita a causa do problema: a forma como a sociedade se organiza e de como resolve os problemas que ela mesma cria. Tanto Graciliano Ramos como Jorge Amado utilizam as teorias socialistas como base do discurso que as obras assumem. No primeiro, marca-se a impotência do trabalhador diante do poder capitalista; no segundo, há um vislumbre da possibilidade de luta proletária, da organização por meio da politização como solução social.

Ainda nesse período, mas como poesia, destaca-se a obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. Em proporção diferenciada, surge o ideal socialista na descoberta de um mundo que se deteriora em razão da Segunda Guerra Mundial, marco da decadência capitalista segundo o poeta, e da Ditadura que dominava o Brasil à época de Getúlio Vargas. O livro contempla o momento em que o poeta abandona aquela poesia do cotidiano, toma consciência da nova realidade e preocupa-se em dar um novo papel ao trabalho poético: é preciso usar as palavras para denunciar, para que as pessoas acordem da inércia política, é preciso lutar. E a poesia drummondiana renasce nessa obra com nova postura. Há poemas metalinguísticos que questionam o objetivo poético nesse momento de gravidade no Brasil e no mundo, como também existem os poemas que abordam claramente os acontecimentos desse período, e, por fim, os poemas que abordam o próprio poeta enquanto vida, origem e amigos.

É evidente que as obras foram escolhidas justamente por terem relações entre si, tanto analógicas como distintas. Ao aluno é necessário tranquilidade, domínio emocional acima de tudo, para poder compreender os enunciados das questões e encontrar a resposta certa. Agora é ser fera e mostrar o quanto você se preparou. Bom vestibular!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Para escrever uma boa redação




Por Alex Carvalho

Fórmula do sucesso é meio complicado, mas algumas coisas são essenciais: sempre ler os editais do vestibular ou algum guia (como o Guia do Estudante), que explicam as competências avaliadas por cada vestibular na redação: o estilo do vestibular. 

Outra coisa importante é ler muito, tanto notícias, artigos, como também redações de outros. É legal trocar redações com os amigos porque você acaba vendo outros modos de abordar o tema. Veja também as redações com  boas notas na Fuvest e no Enem.


Por último, a produção: faça muitos textos, mas acompanhe correções para não  cometer os mesmos erros em todos os seus textos. 

Seja bastante autocrítico, mas de modo construtivo, sem se pôr para baixo. E não se esqueça de planejar o seu texto, mentalmente, por meio de setas, palavras-chave etc. Ajuda muito em temas com os quais você não tem segurança.  É isso aí pessoal, esses hábitos só têm a acrescentar.

* Alex Carvalho, aluno do Cursinho - turma 2013. Aprovado em medicina na UFTM, UNESP, UNIFESP,  USP e FAMERP.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Formula 'mágica' do sucesso



Por Ayne Regina Gonçalves Salviano

Qual a receita de sucesso para o vestibular?

Fizemos esta pergunta aos alunos que foram aprovados nos vestibulares 2013/2014. Nossa intenção é compartilhar experiências e dicas. 
1. Existe alguma 'fórmula mágica' que garanta a aprovação? 
2. É bom estudar demais sem descanso? 

MARCELA ERVOLINO, aprovada em medicina na FAMECA e PUC/Curitiba

“Não  existem fórmulas mágicas pra se alcançar o sucesso. O primordial é a vontade. Você precisa ter certeza de que é esse curso mesmo que você quer e dessa vontade insana de alcançar seu objetivo, tirar toda sua determinação. 

Ninguém consegue se esforçar de verdade por algo que não queira muito. Tendo certeza do seu objetivo, você tem que estar disposto a alguns pequenos sacrifícios. Afinal, tudo que vem vai fácil, pois nós não costumamos valorizar.

O vestibular exige dedicação e muito estudo. Mas não só isso. É necessário se organizar e arrumar um tempo para distrair as ideias e gastar suas energias. Sair com amigos, fazer academia sem se deixar levar pela vida boemia.Tenham moderação.

Quanto aos estudos, garanto que vocês estão seguros com o material do Anglo. Claro que pegar provas dos últimos anos dos vestibulares das faculdades que vocês mais almejam também é muito bom. 

E ler é o essencial. Ler textos opinativos, de diferentes opiniões, para que você consiga formar a sua. E não só textos sobre assuntos polêmicos. Leia sobre física, química, tudo. Na sua redação você consegue adicionar informações dos mais diferentes universos.

E o principal, pra mim, é você se dedicar ao que você mais tem dificuldade, sem abandonar as matérias que você acredita saber mais. Parece confuso e difícil, e na verdade é. A realidade é que ninguém consegue saber tudo de tudo. Mas você tem que fazer o máximo para chegar lá. Se você odeia história, estude história. Porque quando você gabaritar essa matéria no vestibular, ela deixará de ser um problema para você e você não a odiará mais.

Pondere seus estudos entre teoria e exercício porque um sem o outro não tem sentido.

Outra coisa muito importante é o sono. Muita gente faz loucuras, dorme 5h por noite e acha que 'está abafando'. Mas, na verdade, só está diminuindo o rendimento do cérebro que assimila bem menos informações quando não descansa o suficiente.

Quando sentir sono, durma. Deite no banco, na sala de convivência, descanse de 10 a 30 minutos e depois volte para biblioteca e faça tudo que der.

Frequente os plantões. Aborde os professores nos corredores, nos intervalos, mesmo que pareça inconveniente. Eles querem te ajudar! Eles estão aí pra isso. Confie neles.

Espero que todos vocês atinjam seus objetivos e possam, como eu, serem gratos a essa escola e a todos os seus funcionários, que são apaixonantes”.

* Ayne Regina Gonçalves Salviano é professora de Redação do Ensino Médio e Cursinho. É autora do projeto do jornal impresso Leão Gordo desde 2013 e responsável por este blog.